ENTRE RISADAS, AMIZADES E GRANDES PESCARIAS: UMA AVENTURA ÀS MARGENS DO RIO PARANÁ

0 Comments
Marcos Eugênio Welter.


Há viagens que começam muito antes da partida. Começam nos encontros, nas conversas, nas histórias compartilhadas e naquela expectativa que vai crescendo a cada reunião. Assim é com o nosso grupo de pescadores, que mensalmente é recebido de braços abertos e com um caloroso abraço de amizade na aprazível chácara do Sr. Ariberto Staack.

É ali que a turma se reúne para confraternizar, degustar as deliciosas cachaças Oppa Staack, colocar a conversa em dia e, naturalmente, dar boas risadas. Entre uma história e outra, o competente Sr. Ferraz chama todos para a tradicional reunião, quando são tratados os assuntos relacionados às próximas pescarias, os detalhes da viagem e tudo aquilo que envolve mais uma aventura do grupo.

Depois dos assuntos devidamente encaminhados, chega a hora de um delicioso jantar, daqueles que prolongam ainda mais a confraternização. Enquanto isso, o Feu passa oferecendo uma rifa de equipamentos de pesca e, em outro canto, a turma da cacheta já toma seu lugar em uma mesa própria. E assim a noite segue adiante, entre cartas, brincadeiras, histórias de pescador e muitas gargalhadas.

Até que, finalmente, chega o tão esperado dia da viagem.

No dia 22 de agosto de 2026, precisamente às 7 horas da manhã, o moderno ônibus da Massaneiro Turismo deixou a Aradefe rumo à Argentina. Era o início de mais uma grande aventura, reunindo amigos, pescadores apaixonados e, sobretudo, companheiros que sabem transformar uma simples viagem em momentos inesquecíveis.

Os aficionados por jogos acomodaram-se no andar térreo do ônibus, enquanto os demais seguiram para o primeiro andar. Eu tive o privilégio de ocupar um lugar bem na frente, na primeira fileira, desfrutando daquela vista panorâmica que proporciona uma visão privilegiada de todo o percurso. Alguns companheiros preferiram fazer a viagem de camionete, seguindo também em direção ao destino.

Foram longas vinte e quatro horas de estrada. Cansaço? Certamente. Mas a expectativa e a alegria de reencontrar aquele cenário de pesca faziam tudo valer a pena.

Depois de uma longa jornada, finalmente chegamos a Itá Ibaté, na Argentina. Ao descermos do ônibus, carregados com nossas tralhas e equipamentos, fomos recebidos na aconchegante Pousada Gêmeos. E o primeiro cartão de boas-vindas veio da própria natureza.

Assim que chegamos, alguém apontou para as árvores e disse: “Olha ali, macacos sobre as árvores!”

Foi o suficiente para que todos deixassem por alguns instantes as bagagens de lado e fossem apreciar aquela cena. Havia um casal de macacos em uma árvore, outro casal em outra e, um pouco mais afastada, uma macaca acompanhada de seus dois filhotes. Um verdadeiro espetáculo da natureza, uma recepção que ninguém esperava e que acabou se tornando uma das primeiras lembranças marcantes da viagem.

Como se não bastasse, a pousada ainda oferece um amplo jardim, cercado por árvores e muita vegetação. E, para completar aquele cenário especial, havia o majestoso rio Paraná, proporcionando, ao final do dia, um belíssimo pôr do sol.

Alguns companheiros não perderam a oportunidade de registrar o momento. Com criatividade, fizeram fotos estendendo a mão diante do horizonte, dando a impressão de estarem segurando o próprio astro-rei.

A natureza, naquele momento, parecia estar nos dizendo: sejam bem-vindos!

E veio o jantar. A primeira refeição na pousada superou as expectativas. Carnes muito macias e peixes preparados com temperos extremamente saborosos fizeram a alegria da turma. Depois de tantas horas de estrada, nada melhor do que uma boa mesa para recuperar as energias e preparar o espírito para o grande momento que todos aguardavam: a pescaria.

Amanheceu o tão esperado primeiro dia de pesca. Mas a natureza resolveu nos pregar uma peça. A temperatura havia despencado para aproximadamente 10 graus. Para quem está acostumado a pescar em condições mais amenas, era frio de verdade. Muito frio!

Mesmo assim, ninguém desistiu. Consegui emprestada uma capa plástica para colocar por cima das roupas e, devidamente protegidos, embarcamos nas potentes lanchas equipadas com motores de 115 HP. O piloteiro acelerou rio acima e, durante aproximadamente 40 minutos, seguimos em alta velocidade pelas águas, em busca dos tão desejados peixes.

Na pescaria, o piloteiro desempenha uma função muito importante. É ele quem coloca a isca no anzol, já que nós, pescadores, estamos com protetor solar e repelente nas mãos. Segundo a tradição da turma, esses produtos poderiam afastar os peixes.

O piloteiro então arremessou primeiro a vara do meu companheiro, Sr. Darci Fagundes. Enquanto ele preparava a minha vara, aconteceu o primeiro grande momento da pescaria.

Darci ferrou um belo jaú de 72 centímetros!

Registrei tudo em vídeo e fotografia. Naturalmente, veio a brincadeira. Darci perguntou se eu não queria tirar uma foto ao lado do peixe. Agradeci, mas respondi que tiraria uma foto com o meu peixe.

Mal sabia eu que aquelas palavras se transformariam em uma das histórias mais engraçadas da viagem.

Foram quatro dias de pescaria e, para minha surpresa, não consegui pegar nenhum peixe. E não fui o único. A maioria dos pescadores também enfrentou dificuldades para conseguir bons exemplares.

Mas ninguém perdeu o bom humor. Sabíamos que as condições estavam atípicas. O frio inesperado certamente influenciou o comportamento dos peixes, e todos conhecemos a fama da região e sabemos que, em condições normais, os resultados costumam ser muito melhores.

Afinal, pescador de verdade não desanima. Se não pega peixe, pega história!

O retorno das lanchas à pousada estava marcado para as 18 horas. O jantar, porém, só seria servido às 20 horas. Duas horas de intervalo que, para aquela turma, passaram longe de ser um problema.

Era tempo suficiente para jogar, conversar, relembrar os acontecimentos do dia e, principalmente, dar muitas e boas risadas.

E entre os mais felizes da viagem estava o Dr. Edemar, que teve a alegria de estar acompanhado dos dois filhos, Luciano e Ricardo, além do irmão Clóvis, que veio da cidade de Maravilha, no oeste do Estado.

Wladimir também estava acompanhado do filho, Matheus, enquanto Homero desfrutava da companhia do filho Bruno.

Esses momentos de convivência entre pais, filhos e irmãos deram à viagem um significado ainda maior. Afinal, mais importante do que os peixes pescados são as histórias vividas e as lembranças construídas ao lado de quem gostamos.

No retorno, ainda tivemos uma parada pelo Paraguai, onde alguns companheiros aproveitaram para fazer compras. Depois, seguimos novamente em direção à Argentina, aproveitando a oportunidade para adquirir bons vinhos, encontrados na região por preços bastante convidativos.

Assim, a viagem foi muito além da pescaria. Tivemos estrada, natureza, gastronomia, compras, vinhos, jogos, brincadeiras, amizades e, claro, muitas histórias para contar.

Existe uma antiga inscrição assíria, datada de aproximadamente 2.000 anos antes de Cristo, à qual é atribuída uma frase que combina perfeitamente com o espírito dessa turma:

“Deus não desconta de nossas vidas os dias que passamos pescando.”

É uma frase que traduz muito bem o sentimento de quem ama esse esporte.

A pesca é muito mais do que lançar uma linha na água esperando que um peixe fisgue o anzol. É viajar, conhecer lugares, contemplar a natureza, respirar novos ares, reencontrar amigos, criar novas histórias e guardar momentos que permanecerão na memória.

E existe ainda um significado especial para aqueles que têm fé. Quando Jesus escolheu o seu primeiro apóstolo, escolheu um pescador.

Talvez por isso nós, pescadores, gostemos de acreditar que somos especialmente abençoados e protegidos enquanto seguimos nossos caminhos pelas águas.

O importante é agradecer pelas oportunidades, pelas amizades e pelas maravilhas que a vida nos proporciona. E, desta vez, mesmo com o frio atrapalhando a pescaria, tivemos motivos de sobra para agradecer.

No último dia, chegou o momento mais aguardado por todos: a divulgação dos resultados finais. A comissão julgadora apresentou os números e os melhores pescadores receberam seus merecidos troféus.

Na categoria Maior Dourado, o destaque ficou com Ricardo, que fisgou um exemplar de impressionantes 88 centímetros. O segundo lugar ficou com Ingo, com um dourado de 87 centímetros, seguido por Luciano, com 86 centímetros.


MAIOR DOURADO


1º – Ricardo – 88 cm

2º – Ingo – 87 cm

3º – Luciano – 86 cm


Na categoria Maior Peixe, exceto dourado, o grande destaque foi Duda, com um enorme pintado de 146 centímetros, um verdadeiro gigante que certamente ficará entre os grandes registros dessa viagem.


MAIOR PEIXE – EXCETO DOURADO


1º – Duda – 146 cm – Pintado

2º – Darci – 72,5 cm – Jaú

3º – Osvaldo – 57,5 cm – Piapara

4º – Homero – 57,5 cm – Piapara


E assim terminou mais uma aventura.

Talvez alguns tenham voltado para casa com grandes peixes. Outros, como eu, voltaram sem sequer uma fotografia ao lado de um peixe próprio.

Mas todos voltaram com algo muito mais valioso: histórias para contar.

Porque, no fim das contas, uma boa pescaria não se mede apenas pelo tamanho do peixe que vai para a fotografia. Mede-se pelas amizades fortalecidas, pelas gargalhadas compartilhadas, pelas paisagens contempladas, pelas refeições ao redor da mesa e por todas aquelas histórias que começam com “na próxima vez eu pego...”.

E certamente haverá uma próxima vez.

Porque pescador nunca desiste.

Ele apenas volta para casa, prepara novamente os equipamentos, conta as histórias da última pescaria e começa a esperar pela próxima.

Afinal, para quem ama a pesca, cada viagem termina apenas para que outra comece a ser planejada.

Por: Marcos Eugênio Welter - Vice-Presidente Nacional da Academia de Letras do Brasil, Membro do Conselho Superior Internacional da Academia de Letras do Brasil.


Duda e seu enorme pintado.

Ricardo Schlosser e seu dourado.

Ingo e seu dourado.

Osvaldo e seu dourado.

Ricardo e seu dourado.

Darci e seu jaú.

Homero e sua piapara.




You may also like

Nenhum comentário: