SALDO DE CARNAVAL

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Malude Maciel.


Depois que passaram o Galo e a semana de folia, os papangus voltaram ao seu esconderijo as máscaras não prevaleceram e os tamboris cessaram a batucada, a gente volta à normalidade do cotidiano e, serenamente pode avaliar os prós e os contras dos festejos momescos. É quando as fantasias são deixadas de lado e, queira ou não, a realidade aparece com interrogações: E agora? O que restou de tudo isso? Valeu a pena?

Essa análise é de praxe e, cada ano é observado, particularmente e pelas autoridades, o saldo do período carnavalesco e comparado com os anos anteriores em diversas áreas. Pena que os resultados sempre são negativos com grande número de ocorrências policiais registradas. Ao vermos os noticiários bradarem as vítimas de morte no trânsito, os hospitais superlotados de doentes com ou sem perigo de morte e a imprudência e orgias sem limites, achamos que houve um desperdício, que muitos sofrimentos poderiam ter sido evitados pela sensatez, pois: “quem vai pra chuva quer se molhar”. Os custos da folia são altos e o povo fica endividado, para satisfazer seus delírios:”Se a cabeça não pensa, o corpo padece”.

Dizem que o carnaval é uma brincadeira inocente e isso não é verdade, porque sempre é utilizada a bebida alcoólica como ponto de partida e ninguém prever onde vai parar a ousadia dos foliões. Os jovens incautos são os mais prejudicados com: brigas, confusões, acidentes, roubos, mortes, gravidezes indesejadas e desajustes emocionais computados na lista das consequências desastrosas por uma alegria ilusória e passageira. É preciso evitar os devaneios e manter o equilíbrio, o que não é fácil diante das imagens sedutoras, vibrantes e coloridas que a mídia mostra exaustivamente por todos os meios de comunicação. Praticamente impossível não participar. Ninguém quer ficar de fora, mas, nem todo mundo é ávido por festas mundanas e não quer se envolver com essa euforia preferindo tranqüilidade e refúgio em praias, retiros e lugares sossegados. Especialmente os mais seletivos e ajuizados.

Se o número de brasileiros que engrossa a onda de foliões nas ruas fosse o mesmo num grande protesto à corrupção e aos escândalos governamentais, exigindo cumprimento das Leis e da Carta Magna integralmente igual para todos, duvido que o Planalto não tremesse nas bases e fizesse sua parte bem feita em relação ao povo, como dever e obrigação, pois aí veria que há consciência e esclarecimentos da massa que pode mudar a situação pela qual passa nossa Nação.

Sabe-se que o embalo dessa festa é para fomentar a economia, tudo gira em torno da balança de negócios e pelo visto os donos de cervejarias levam a melhor. O poder público gasta uma nota para: manter a segurança, controlar o trânsito, aumentar o policiamento e promover as agremiações com seus desfiles e apresentações que quase sempre terminam em conflitos. Esse dinheiro poderia ser melhor aplicado em algo mais útil e duradouro.

O carnaval não é uma festa genuinamente brasileira; veio com os europeus para a elite da corte e, tomou vulto em nosso país como sendo a maior festa popular. Ocasião em que o povo aproveita para extravasar seus sentimentos, nem sempre nobres e, indiferente aos preconceitos de cor, raça, status e religião, cair no passo ao ritmo da orquestra que executa as mais variadas composições musicais, nem sempre boas, mas que leva o folião ao contentamento fugaz, mesmo com sequelas e arrependimentos tardios.

É tudo um jogo de interesses onde o povão dança de fato e de direito.


Por: Malude Maciel - Jornalista, Escritora e Membro da ACACCIL – Cadeira 15 – Profa. Sinhazinha.



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