OS NETOS NO PAÍS DO BANANAL

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José Vieira Passos Filho.


Somos os avós Edna e Celso. Nossos filhos: Lívia, casada com Maurício; Igor, esposo de Hylka; Izabelle, casada com Felipe e Henrique, esposo de Ana. Casamos há 43anos. Nossos seis netos menores são: Rafael (o Rafa) com dez anos; Sofia (Sofa) e Felipe (Felipinho), tem sete; Davi, seis; Maria Luiza (Malú), cinco e Lis, apenas quatro. A neta mais velha, Gabriela (Gabi) está com dezenove anos. Essa família tem um lugarzinho, o Bananal. “Lá nas plagas da Viçosa, tem nome e tradição, é uma terra grandiosa”. Esse lar nós chamamos “O País do Bananal”, é o orgulho de minha vida. É o orgulho de toda minha família. 

Nossos netos quando vão para o Bananal não querem mais voltar, juntam-se aos primos e passam os dias se esbaldando em brincadeiras: acordam-se cedinho para tomar leite no curral, “tirado do peito da vaca”; em seguida servem-se do café; depois vão andar a cavalo por todo povoado. Os mais afoitos já montam sozinhos; outros vão nas garupas de pessoas experientes. Como não tem cavalos para todos, vãos se revezando. Enquanto esperam a vez ficam brincando com os coelhinhos de minha criação. Uma mãe preocupada, diz: “- Alguém viu Sofia? Onde está Malú?” De repente chega uma neta com um arranhão, é medicada e volta para as brincadeiras. Na hora do almoço comem às carreiras porque não podem perder tempo para ir brincar. Minha casa, por ter uma grande área de lazer é onde se concentra a maior parte das crianças. Eu me divirto e me delicio com suas brincadeiras e incentivo-as. Sou eu quem tira os netos do castigo quando os pais querem exemplá-los. O neto diz: “- mas mainha não me deixa sair”. Eu pergunto: - sua mãe, o que é minha? - Filha, responde. Convenço-o a sair do castigo com o argumento: - se sua mãe é minha filha então eu mando nela; vai menino, vai se divertir que eu resolvo. A mãe, quando percebe que o rebento escapuliu da punição, vem me censurar: “- o senhor está botando seus netos a perder”. Convenço-a citando um trecho do poema que fiz tempos atrás: “Viver repreendendo filho, isso foi no passado, seus filhos são duas vezes meus filhos, vovô hoje só entende de afeto”. A filha faz um muxoxo e vai reclamar à mãe Edna.

No Bananal, à noite, os adultos reúnem-se no cruzeiro, em frente à igrejinha. Lembram o passado: fatos engraçados vividos pelos parentes, as piadas contadas pelo meu avô, as brincadeiras de salão onde participavam todos da família. Muitas lembranças. As crianças, no largo da igreja, andam de bicicleta, brincam de “pega”, ensaiam passos de danças e depois vão se apresentar. Mostram-se exímios dançarinos e são aplaudidos pelos avós, pais e parentes. 

O Bananal é um lugar único, por isso passou a ser chamado “O País do Bananal”. A área central é constituída da igrejinha, do cruzeiro e de uma praça com a imagem do Padre Cícero. Em seguida tem várias ruas somente com casas de parentes que sempre se juntam em “senadinhos” para conversarem, jogar baralho, tomar um bom vinho e falar nos antepassados. Foi assim que sempre fizeram meus avós; é assim que fazemos, nós, os avós de hoje; será assim que farão meus netos e seus primos. 

Por: José Vieira Passos Filho - Pres. da Academia Alagoana de Cultura, Sócio Efetivo do Instituto Histórico e Geográfico de Alagoas, Sócio Efetivo da Academia Maceioense de Letras, Sócio Honorário do SOBRAMES (AL), Sócio Efetivo da Comissão Alagoana de Folclore. Presidente da ALB de Alagoas



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