PERFIL DE UMA VENCEDORA, MARIA LYDIA DOS SANTOS BORTURANI

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A história de Maria Lydía dos Santos Borturani é marcada pela força, pela fé e pela vontade de viver intensamente cada etapa da vida. Nascida em Itajaí, no dia 8 de maio de 1930, construiu uma trajetória inspiradora, repleta de superações, amor à família e dedicação ao conhecimento.

Casada com o saudoso Guilherme Borturani, Maria Lydía formou uma família sólida e amorosa. Teve quatro filhos: Maria Terezinha (in memoriam), Marilene, Márcio e Marcos. A família cresceu e hoje é motivo de grande orgulho, com sete netos e três bisnetos: Rafael Guilherme, Iago Henrique, Franciele, Sara Cristina, Mariele, Matheus, Lucas, Guilherme, Matias e Beatriz.

Mesmo na terceira idade, Maria Lydía nunca deixou de buscar novos caminhos. No ano 2000, aos 70 anos, com uma bengala na mão e muita determinação no coração, pisou pela primeira vez no chão da Universidade do Vale do Itajaí (Univali). Em apenas um ano realizou três cursos de Atualização para a Melhor Idade, frequentando as aulas às segundas-feiras no curso de Extensão Superior. O que começou como uma experiência se transformou em uma longa jornada de aprendizado: ela permaneceu estudando por oito anos. Seu nome ficou registrado nos arquivos da instituição, como símbolo de dedicação e amor pelo saber. Como ela mesma costuma dizer: “Deus tarda, mas não falha”.

No ano seguinte, em 2001, Maria Lydía foi idealizadora de um curso semelhante no Centro Universitário de Brusque (Unifebe), também voltado para a melhor idade. Sua participação ativa na vida cultural e social continuou através da escrita: por nove anos foi colaboradora do jornal A Voz de Brusque, compartilhando pensamentos, reflexões e experiências de vida com os leitores.

A vida, porém, é feita de ciclos. Em 17 de março de 2022, aos 92 anos, Maria Lydía passou a residir no Lar de Idosos do Lions Clube de Brusque, na localidade do Cedrinho, necessitando de cuidados especiais devido à artrose nos dois joelhos. Mesmo diante das mudanças, ela encara essa etapa com serenidade e gratidão.

Antes disso, morava sozinha e levava uma vida independente. Administrava seus próprios horários, fazia suas escolhas e aproveitava os pequenos prazeres da rotina. Nos fins de semana, gostava de agendar visitas ao salão de beleza, cuidar das unhas, pegar um táxi e passear observando as vitrines das lojas e boutiques da cidade.


A mudança para o lar representou um novo capítulo. Ali encontrou um ambiente diferente, mas também repleto de convivência e aprendizado. Segundo Maria Lydía, viver em comunidade é uma grande lição de simplicidade e fraternidade.

Hoje, ela considera o Lar de Idosos do Lions Clube um verdadeiro refúgio. Um lugar de paz, cercado por natureza, longe do barulho do trânsito e da agitação da cidade. Para ela, o local é como um oásis, um espaço onde se pode viver tranquilamente, sem pressa e sem vaidade.

Maria Lydía acredita que a velhice é uma conquista. Para ela, é a “idade de ouro do ser humano”, uma fase em que se colhe a sabedoria acumulada ao longo dos anos. Cada ruga no rosto, segundo suas palavras, é testemunha de uma missão cumprida e dos caminhos percorridos com amor, trabalho e dedicação à família.

Seu pensamento é claro e cheio de esperança: o saber não tem idade. Aprender, refletir e compartilhar experiências fazem parte da vida em qualquer fase.

No Lar de Idosos, ela também encontrou carinho, cuidado e respeito por parte dos profissionais e colaboradores. A convivência com os demais residentes é, para ela, uma oportunidade constante de troca de histórias, aprendizado e amizade. Maria Lydía costuma dizer que os idosos carregam uma bagagem preciosa de experiências que iluminam o caminho das gerações futuras com esperança e sabedoria.

Além disso, ela demonstra grande admiração pelo trabalho realizado pelo Lions Clube, responsável pela criação do lar inaugurado em 22 de julho de 2001. Para Maria Lydía, a instituição é fruto de um ideal grandioso do Leonismo Brusquense, um projeto construído com dedicação, solidariedade e amor ao próximo. Segundo ela, é “um pedacinho do céu que caiu aqui”.

Mesmo enfrentando algumas limitações físicas, como problemas de audição e visão, Maria Lydía mantém seu bom humor e sua alegria de viver. Com leveza e graça, costuma brincar que, embora tenha dificuldades para ouvir e enxergar, quando aparece um idoso charmoso ela consegue enxergar muito bem.

Entre suas maiores paixões está a escrita. Maria Lydía gosta de ler, escrever e registrar pensamentos e reflexões sobre a vida. Ao longo dos anos, produziu diversos textos e crônicas, expressando suas ideias, memórias e aprendizados.

A seguir, apresentamos algumas das crônicas escritas por Maria Lydía dos Santos Borturani, que revelam sua sensibilidade, sabedoria e amor pelas palavras.


ARTE DE VIVER!


Neste momento, a única coisa que existe é a minha vida e a sua vida. Aqui e agora. A felicidade é sempre decidida pelo coração. Diga assim, não mude de caminho!

Os hábitos de vida dos idosos deve ser, a vida social, o contato e o cuidado diário que recebiam dos familiares, dos vizinhos e dos demais membros da comunidade. Assim, interagir, conversar, viver em família, contribui para uma vida longa e feliz.

“Ler é uma aula” importantíssima!

Jesus prezava muito a prática da oração! Aprenda a conversar com Deus. Ele orava regularmente. Os Evangelhos relatam que Ele subia ao monte para orar sozinho. Jesus ensinava por palavras e ações. Ele tinha autoridade para tratar desse assunto. Os discípulos reconheceram isso e lhe pediram: “Senhor ensina-nos a orar”.

A oração deve ser um hábito na vida das pessoas. Devem reconhecer a presença Dele onde estiverem: em casa, no trabalho, na fila do banco... Compartilhar com Deus durante todos os dias. Ore sobre tudo. Inclua todas as necessidades, tudo o que envolve as coisas relacionadas ao seu coração; a sua vida, ao seu casamento, a sua família, a sua Igreja, ao seu trabalho ao mundo em geral. Deus está interessado em ouvir o que você tem a dizer. Então ore mais. Fique perto de Deus. Converse com ele. Deixa que ele entre em sua vida. Você pode falar com Deus que ele ouve. Ele leva você direto ao céu. Não precisa ter medo de ser ignorado. Você é alguém para Deus. Você tem acesso a ele. Quando você ora ele escuta.

As palavras que você diz não param até que alcancem o próprio trono de Deus. Ainda que você gagueje ou tropece, mesmo o que você tem a dizer não impressione ninguém, certamente impressiona a Deus, e Ele ouve. Consciente de que sua voz é importante no céu, você pode enriquecer sua vida de oração diária. Faça disso uma rotina. Comece e termine o seu dia com esse espírito de comunicação com o Deus de amor revelado em Jesus de Nazaré.

Lydia Borturani.



VISITAS


Quando recebemos visita de alunos de colégio gosto de explicar: A Beleza da Criação Divina, que circunda nosso lar de idosos.

Este é o Lar de Idosos Lions Clube de Brusque – Bairro Ledrinho. Este lar está situado em uma clareira, antes era uma mata fechada. Mas continua cercado de árvores, palmeiras, bananeiras e plantas frutíferas.

Tudo o que existe na natureza expressa ordem, beleza, exatidão e adaptação, e presupõe um planejamento inteligente, as obras das mãos de Deus. Nós idosas bem sentadas no varandão que é o “Cartão Postal” do lar, observamos as folhas das árvores dançando, ao toque do maestro vento. Elas dançando nos saúdam! As árvores mais velhas são mais bonitas, por quê? Porque venceram a idade e as tempestades.

Vamos mais longe! E as maravilhas naturais: o colorido e o perfume das flores, com orvalho nas pétalas aveludadas, os pássaros cada espécie canta sua melodia, a teia da aranha, o brilho dos astros, a organização da colmeia e o funcionamento do corpo humano. Tudo isso surgiu por mero acaso? Um relógio não poderia funcionar sem um relojoeiro.

Eu vim aprofundar meus conhecimentos, aqui também é uma escola, o valor da educação, formação do caráter da terceira idade, laços de amizade, padrões morais, espiritualidade... É um estudo.

Lydia Borturani.



DISCURSO – NATAL

TEM COMEÇO E FIM


Com saudades.

Já fomos crianças, educadas com o maior carinho.

Já fomos jovens, com interesse de conhecimento.

Nossa mocidade foi com sonhos de glórias.

Agora estamos na terceira idade, eu já estou na quarta ou quinta terceira idade.

Mas aqui não estou sozinho, tem mais. Fazer o quê?

A velhice é a coroa dos velhos.

Essa coroa traz consigo uma colheita: A colheita do que se aprendeu e viveu.

A colheita do quanto se fez e alcançou.

a colheita do quanto sofreu e suportou. 

Nós, idosos, em cada ruga temos história, em cada olhar, uma lição.

Não tenha receio se talvez um dia as rugas possam marcar o seu rosto.

Elas são belas...

São testemunhas de missão cumprida. Essas manchas que temos no rosto são sombras de sorriso, muito sorriso e pouca tristeza. Esses frisos que temos, são pequenos canais por onde passam as águas do amor e da ternura, já criamos uma família.

Portanto, não tenham vergonha das rugas. Piores são aquelas que enrugam a alma e o coração e distorcem a nossa vida. Não tenham medo de envelhecer, tenham medo, sim, de envelhecer vazio.


Lydia Borturani.


Homenagem da Academia de Letras do Brasil, através do Vice-Presidente Nacional Marcos Eugênio Welter.





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