CARTA À HUMANIDADE

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Rosalva Santos.

Refletindo o caos que hoje a humanidade passa, podemos perceber o quanto nossa racionalidade ficou perdida no tempo, somos os únicos animais que deveríamos pensar nossas atitudes e nossas ações perante o outro, mas como agimos nada se compara a sobrevivência dos animais irracionais,  somos totalmente desprovidos do sentimento de partilha, nossa racionalidade é egocêntrica, centralizadora e individualista, parece que a  evolução da humanidade ao longo do tempo foi extraordinária quanto ao desenvolvimento de habilidades, informações e tecnologia. Aumentamos nossa capacidade de comunicação com o mundo, porém somos tão distantes e tão pertos ao mesmo tempo, sempre conectados com toda informação. Isso é incrível. Porém, regredimos no contato com o outro.

Vencemos, tantas imposições do tempo, avançamos em conhecimento e informações tecnológicas, controlamos tantas catástrofes naturais, mas também desestabilizamos o equilíbrio ecológico do planeta, resultado das alterações negativas e desastrosas da ação do homem, afetando drasticamente os processos naturais do nosso ecossistema. Tais interferências ameaçam a saúde e a sobrevivência dos seres humanos e dos outros organismos. Sabemos que existem os desequilíbrios naturais as catástrofes, as grandes erupções vulcânicas, entre outros, porém o homem é o maior causador de tais desequilíbrios na natureza e na sua cobiça, a destruição do homem pelo próprio homem.     

Nossa mente o tempo todo, sempre pronta a criar e recriar e não somos capazes de ouvir, de sentir, de perceber, o apelo da terra, que nos alertou de tantas formas, sua exaustão, com o fogo do desmatamento, as enchentes que devastaram e inundaram ruas e cidades, o aquecimento global, tudo parecia insignificante para o homem, pois o que prevalecia era exercer sua autoridade e poder, o controle e a dominação do homem sobre o homem. Toda essa tormenta que estamos atravessando não surgiu espontaneamente, foram as ações e atitudes inconsequentes, insensatas e desumana do homem consigo mesmo, com o outro e com a terra. 

A pandemia que vivemos hoje trouxe-nos a destruição ao individualismo e a ambição ao poder, percebemos que nada somos, ricos ou pobres todos estamos na mesma situação, ninguém ficou dispensado, todos foram atingidos, a desordem e caos não poupou ninguém, o mundo parou, obrigatoriamente recebemos a ordem de parar, a corrida dinâmica e frenética que incentivavam o sucesso individual, a competição e as desigualdades sociais, exigem mudanças radicais na maneira de viver em  sociedade, uma tensão exacerbada e a paranoia do imediato e agora precisa mudar, se faz necessário e urgente ser repensado nosso modo de olhar o mundo

Os impactos sofridos em nossa vida foram brutais, na saúde, no social, no econômico e no emocional, percebemos que somos globalizados, conectados pela informação tecnológica e pelo conhecimento, acelerados, inescrupulosos, atropelamos e destruímos nosso mundo, temos tantos conhecimentos e somos insuficientes para combater o inimigo invisível, este vem com uma ameaça avassaladora sobre nós. A ganância do consumismo estagnou nossa coletividade, nos tornando seres fragmentados, o conhecimento sendo cada vez mais especifico, numa busca incansável e competitiva de acertar e nos fez esquecer a visão do todo, da solidariedade, da cidadania e da humanidade e nos levou a triste realidade de pensarmos que éramos inume as nossas próprias perversidades e como toda ação tem reação, hoje o mundo encontrasse abalado, a confiança, a estabilidade ameaçada pelo inimigo invisível “corona vírus“ com sérias consequências psicológicas, emocionais, sociais, econômicas e financeiras.     

A Humanidade deve comprometesse individualmente e coletivamente, para    que todos os seres da natureza e seres humanos obtenham vida digna, necessitamos recuperar um novo sentimento que fomente uma vida com mais equilíbrio em nossas relações, ações e atitudes para com os outros e da humanidade para com a natureza. Em algum lugar perdemos o caminho obcecados pelo desejo incondicionalmente de riqueza, controle e poder, nos tornando autossuficientes, nos elevando a categoria de “deuses” que tudo pode e tudo controla, em altruísmo demasiado, nos corrompemos e caímos na miséria individual da prepotência abusiva do poder contra os menos favorecidos. Quando essa tormenta cessar esperamos que a humanidade nos proporcione a paz e a generosidade e que possamos olhar o mundo com os olhos da compaixão.

Texto do livro Cartas à Vida por Rosalva Santos.

Por: Rosalva Santos - Pedagoga e Escritora.


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