SAÚDE EM ALERTA: PROBLEMAS RESPIRATÓRIOS, AUDITIVOS E DO SONO CRESCEM E ESPECIALISTA DR. PERCY THOMAS ORIENTA POPULAÇÃO

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As mudanças climáticas, o aumento da poluição, o estresse da vida moderna e os hábitos cada vez mais acelerados têm impactado diretamente a saúde da população. No consultório, queixas como obstrução nasal persistente, crises de rinite, sinusite, dor de garganta recorrente, tontura e problemas auditivos se tornaram cada vez mais frequentes.

De acordo com o otorrinolaringologista Dr. Percy Thomas, as doenças respiratórias continuam liderando os atendimentos, especialmente em períodos de variação brusca de temperatura e baixa umidade do ar. “O clima instável e a poluição irritam as vias aéreas e agravam quadros alérgicos, aumentando a procura por atendimento”, explica.

Outro ponto que chama atenção é o crescimento dos diagnósticos de apneia do sono, condição que vai muito além do simples ronco. A doença pode causar cansaço extremo, dificuldade de concentração e até aumentar o risco de problemas cardiovasculares quando não tratada adequadamente.

Entre os jovens, um hábito comum também preocupa: o uso frequente de fones de ouvido com volume elevado. A exposição prolongada a sons intensos pode causar perda auditiva precoce e irreversível. Especialistas reforçam que o problema não está apenas no equipamento, mas principalmente na intensidade sonora e no tempo de uso.

Após a pandemia, muitos pacientes ainda relatam alterações persistentes no olfato e na voz, exigindo acompanhamento especializado. Além disso, casos de tontura e distúrbios do equilíbrio também têm aumentado, muitas vezes associados a fatores como estresse, hipertensão, obesidade e diabetes.

Nas crianças, a respiração oral e as infecções repetidas de garganta merecem atenção especial. Quando não tratadas, podem impactar o desenvolvimento facial, a qualidade do sono e até o rendimento escolar.

A boa notícia é que a medicina tem evoluído rapidamente. Novas tecnologias permitem diagnósticos mais precisos e tratamentos menos invasivos, oferecendo mais segurança e eficácia aos pacientes.

Diante desse cenário, informação e prevenção se tornam ferramentas essenciais. Alimentação equilibrada, prática de exercícios físicos, sono de qualidade e evitar a automedicação são atitudes simples que fazem grande diferença na saúde dos ouvidos, nariz e garganta.

Na entrevista a seguir, o otorrinolaringologista Dr. Percy Thomas fala sobre os principais problemas enfrentados atualmente, explica sinais de alerta e orienta a população sobre quando procurar ajuda especializada.

ENTREVISTA





BLOG MALUMA MARQUES - Doutor, quais são as queixas mais comuns que têm levado pacientes ao consultório atualmente na área da otorrinolaringologia?

DR. PERCY THOMAS - Atualmente, as queixas mais frequentes estão relacionadas à rinite, caracterizada por obstrução nasal, espirros, coriza e coceira no nariz, e à sinusite, que costuma provocar dor ou pressão na face, dor de cabeça e secreção nasal espessa. Também recebemos muitos pacientes com queixas de dor de garganta recorrente, tontura e zumbido no ouvido.

BMM - O aumento de casos de rinite e sinusite tem relação com mudanças climáticas e poluição? Como isso tem impactado seus pacientes?

DR. PERCY THOMAS - Sem dúvida. As variações climáticas, como frio intenso, aumento da umidade ou períodos de ar muito seco, associadas à poluição atmosférica, agravam bastante os quadros respiratórios. Essas mudanças irritam as vias aéreas e favorecem crises alérgicas e inflamatórias, aumentando a frequência e a intensidade dos sintomas nos pacientes.

BMM - Após a pandemia de COVID-19, o senhor percebeu aumento nos casos de perda de olfato (anosmia) ou alterações vocais persistentes?

DR. PERCY THOMAS - Sim, observamos um aumento significativo de casos de anosmia (perda do olfato) e também de alterações vocais persistentes após a infecção por COVID-19. Em muitos pacientes, o olfato retorna gradualmente, mas alguns necessitam de acompanhamento específico, como treinamento olfatório. Em relação à voz, quadros de rouquidão prolongada podem exigir avaliação detalhada das cordas vocais e, em alguns casos, tratamento fonoaudiológico.

BMM -  O uso excessivo de fones de ouvido tem contribuído para casos de perda auditiva precoce, principalmente entre jovens?

DR. PERCY THOMAS - O principal problema não é o uso do fone em si, mas a intensidade sonora elevada e o tempo prolongado de exposição. Sons acima de 85 decibéis por longos períodos podem causar danos irreversíveis às células auditivas. O ideal é manter o volume em níveis moderados e fazer pausas regulares.

BMM - A apneia do sono tem sido cada vez mais diagnosticada. Quais são os sinais de alerta que a população deve observar?

DR. PERCY THOMAS -  Os principais sinais são ronco alto e frequente, pausas na respiração durante o sono, sonolência excessiva durante o dia, cansaço persistente, dor de cabeça matinal e dificuldade de concentração. Fatores como obesidade também aumentam o risco. Diante desses sintomas, é fundamental procurar avaliação médica.

BMM -  Crianças com respiração oral podem desenvolver prejuízos no crescimento facial e na aprendizagem? Quando os pais devem procurar um especialista?

DR. PERCY THOMAS - Sim. A respiração oral crônica pode prejudicar o desenvolvimento facial, alterar a arcada dentária e impactar a qualidade do sono, o que interfere na concentração e na aprendizagem. Os pais devem procurar um especialista quando perceberem obstrução nasal persistente, ronco, gripes frequentes ou otites de repetição.

BMM  -  As infecções de garganta recorrentes ainda são frequentes? Em quais situações a cirurgia de amígdalas é indicada?

DR. PERCY THOMAS  - Sim, ainda são bastante frequentes. A cirurgia de amígdalas pode ser indicada em casos de amigdalites de repetição, geralmente entre três a cinco episódios por ano, ou quando há complicações, como abscessos ou obstrução respiratória significativa. Cada caso deve ser avaliado individualmente.

BMM - O senhor observa aumento nos casos de tontura e labirintite? Quais são as principais causas atualmente?

DR. PERCY THOMAS  - A tontura é uma queixa muito comum e pode ter diversas causas, de origem periférica (labiríntica) ou central. Atualmente, fatores como estresse, obesidade, hipertensão arterial e diabetes têm contribuído bastante, pois promovem inflamação sistêmica e alterações na circulação, impactando o equilíbrio.

BMM - A poluição sonora nas cidades tem agravado problemas auditivos? Quais cuidados preventivos o senhor recomenda?

DR. PERCY THOMAS  - Sim, a exposição constante a ambientes ruidosos pode acelerar a perda auditiva. Recomendo evitar locais com ruído excessivo ou utilizar protetores auriculares quando necessário. Ao perceber qualquer redução na audição ou presença de zumbido, é essencial procurar avaliação especializada.

BMM  - Quais avanços tecnológicos recentes na otorrinolaringologia têm melhorado o diagnóstico e tratamento dos pacientes?

DR. PERCY THOMAS  - A tecnologia tem sido uma grande aliada. Equipamentos como o videolaringoscópio, o nasofibroscópio flexível, muito útil em crianças  e exames modernos como o vHIT, que avalia o funcionamento do labirinto, permitem diagnósticos mais precisos. Além disso, sistemas de navegação e robótica têm tornado as cirurgias mais seguras e menos invasivas.

BMM - O uso de descongestionantes nasais sem orientação médica pode trazer riscos? Quais são eles?

DR. PERCY THOMAS  - Sim. O uso indiscriminado pode causar rinite medicamentosa, que gera dependência do produto e piora da obstrução nasal. Além disso, pode provocar efeitos sistêmicos como elevação da pressão arterial e alterações metabólicas, sendo especialmente preocupante em pacientes hipertensos e diabéticos.

BMM   - Que orientações preventivas o senhor deixaria para a população manter a saúde dos ouvidos, nariz e garganta em dia?

DR. PERCY THOMAS  - A prevenção começa com hábitos saudáveis: alimentação equilibrada e natural, prática regular de exercícios físicos, controle do estresse e sono de qualidade. Além disso, evitar automedicação, manter a vacinação em dia e procurar avaliação médica diante de sintomas persistentes são atitudes fundamentais para preservar a saúde otorrinolaringológica.





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